Os textos evangélicos referem a festa e a alegria com que foi anunciado, nos arredores de Belém, o nascimento de Jesus, manifestação do amor de Deus pela humanidade.
Leão XIV dá continuidade a este anúncio, e exorta-nos à esperança em Jesus, que morreu e ressuscitou para libertar a humanidade… não para a julgar. Alerta a que, passados dois milénios, o mundo ainda não aderiu a este caminho de paz e felicidade, não abandonou as práticas de inimizade e ódio, aceitando “injustiças estruturais” que geram desigualdades crescentes entre ricos e pobres, pelas quais quem mais tem, enriquece sempre mais, e quem menos possui, empobrece ainda mais. E muito dinheiro vai para os traficantes de armas.
Na mesma linha, o Papa Francisco disse que a paz é contrariada pela degradação da qualidade de vida originada pela mudança climática em curso. E que a Criação, bem comum destinado a todos, é desrespeitada, e sofre de “apropriação indevida” de recursos naturais, em vez de ser utilizada para construir um mundo mais justo, equitativo e fraterno. Acontecimentos e políticas que, prejudicando sobretudo os mais pobres e desprotegidos, fazem com que, numa indiferença descarada, povos inteiros sejam esmagados por uma violência que os abandona a um destino de miséria, e os empurra para uma migração forçada.
O mundo não escuta o clamor dos povos que sofrem com a injustiça e o abandono. Não responde aos apelos de liberdade, de dignidade e de paz. Esquece que não há futuro assente na violência, no exílio forçado, na vingança. E faz guerras.
No entanto… há festas, luzes, árvores luminosas e presépios.
Estamos próximos do Natal. Acontecimento que, mais do que anunciado, deve ser vivido e amado de modo que não se perca a esperança, personalizada em Jesus, de um mundo melhor, mais fraterno, justo e apaixonado pela verdade.
Além de nos destinar à plenitude eterna, Deus também deseja a felicidade dos seus filhos nesta Terra, tendo criado todas as coisas para que possamos, todos, usufruir delas. E a conversão cristã exige rever especialmente tudo o que diz respeito à ordem social e à prossecução do bem comum (São João Paulo II).
Assim, a busca de paz e de felicidade será mais fácil, se for reconhecida a ligação entre Deus, os seres humanos e o conjunto da criação. Se for promovida uma cultura de solidariedade e subsidiariedade que se oponha ao egoísmo e à lógica utilitarista e económica, e que se incline para os mais necessitados.
O anúncio da fé não pode ser delegado, e faz-se onde vivemos. Os que amam a verdade e cultivam a esperança em Jesus promovem a paz e o amor que a humanidade anseia, sempre e em toda a parte. Não só nesta época natalícia. Não só entre amigos.
Sejamos cristãos e felizes, promovendo a verdade, a justiça, a paz e a felicidade de todos, especialmente dos mais desprotegidos.
Concretizemos assim os votos de BOM E SANTO NATAL E DE FELIZ 2026.
António Leite Garcia
do Forum Abel Varzim


